Sexta-feira, Abril 01, 2011

Um dia no meu mundo

Nunca mais eu disse seu nome. Não porque tenha desaprendido, ou porque tenha sido capaz de esquecer, e sim porque cada letra que ia se somando até chegar à palavra final saía de mim arrancando um pouco de tristeza que eu não queria mais sentir. Mas hoje, quando olhei sua foto, ele saltou de minha boca num suspiro, forte e quase automático, e não pude impedir o coração de sangrar. Meus olhos, enciumados, verteram lágrimas também, e logo meu corpo todo era uma solidão só. Tentei colocar outras palavras para fora, ocupar os buracos com qualquer nome, porém às vezes o vazio que dá na gente é logo daquilo que um dia escolhemos não ter. Por isso, eu odiava seu nome, e tremia toda vez que ouvia alguém o dizer. Agora, me pego escrevendo-o incontáveis vezes numa folha de papel qualquer que encontrei por aqui. Como se a repetição fosse enfim o apagar. Como se cada letra que sai da caneta me fizesse te abandonar. Como se a escrita ajudasse a me calar, ainda que só para mim. Como se a ausência significasse que nunca existiu.

Mas não foi assim. Talvez não seja assim.

Hoje, quando olhei sua foto, seu nome voltou a soar por aqui. E tudo que eu queria era que você tivesse sido capaz de ouvir.

10 comentários:

Giovanna Cóppola disse...

Devo dizer que a última frase me arrepiou. Eu gosto muito quando textos me arrepiam, e isso não costuma ocorrer com tanta frequência. Eu também já disse muito e não fui ouvida, e esse lance do nome da pessoa e das letras e das palavras, já fez parte da minha vida por um bom tempo. Enfim, me identifiquei bastante com esse texto. Gosto do jeito que você escreve, a sensibilidade é enorme e eu consigo perceber, aqui desse lado, um pouco do que você sente, mesmo que, às vezes, seja para ninguém. :)
Grande beijo!

Cyn. disse...

Mas ó... a necessidade de amar deve sobressair a capacidade de ouvir. Se não ouviu, não era hora. Lindo texto (como sempre!). =**

Mariana Arraes disse...

A verdade é que TODOS estão surdos. Beijo, meu coração.

Cibele disse...

Meus comentários estão começando a ficar repetitivos, mas o que fazer se eu gosto muito dos seus textos?!
Assim como à Giovanna, esse me arrepiou.
Eu acho que algumas pessoas não ouvem, outras não merecem mesmo ouvir.
Beijo grande!

Anônimo disse...

Certamente uma pessoa que escreve coisas tão bonitas, e que parecem ser escritas com extrema sinceridade, merece um alguém que esteja sempre presente para ouvir o que tenha a dizer, seja um simples nome ou aquelas três mais belas e significativas palavras...

Anônimo disse...

Acho que passei a valorizar mais meu professor de redação.

Anônimo disse...

Pra um professor que nas terças me faz querer faltar aula até que você não é tão bravo e sem coração assim. Talvez você escreva pra alguém mas não tem coragem de adimitir...

Matheus Ferre disse...

Interessante como as coisas acontecem. Eu tenho um blog, nada demais, e mandei para uma amiga. Ela adorou, não sei o porque, e me mandou o seu, ja que ela era sua aluna e eu deveria ser, se não tivesse entrado para a faculdade. Entrei. Expectativas zero. Não costumo ter expectativas. Que pena que não tive com esse blog. Ele iria ultrapassar facilmente toda e qualquer expectativa. Seus textos são excelentes. E por incrivel que pareça, traduzem em palavras o que eu não gosto de dizer. Amor é meu ponto fraco. Parabéns.

Rafaela Romañach disse...

Eu disse , até que seus textos são bons. Espero que durante o ano eu possa descobrir quem é real: o professor mal ou o romântico do blog ! =P

Anônimo disse...

Será que você também é bom em ouvir? Sei que você odeia os anônimos, mas a cada texto você espera por eles. ;)