Sexta-feira, Agosto 12, 2011

Bandeiras

Ela finge que sorri, ele finge que acredita. E assim vão levando mais uma relação que, fadada ao fracasso, insiste em permanecer apenas para evitar os dias de solidão. Por isso, seguem o teatro do cotidiano: investem nas aparências, ignoram o não-sentir.

Em parte das vezes, ela pensa que é por toda a história juntos. Em outras, é ele quem se convence de que não encontrará nada melhor. A verdade é que sempre é pouco, irrelevante, inadequado. Ou apenas fraco, o que, por si só, já basta. São reféns daquelas situações em que só se pode rir porque ambos não percebem o óbvio. Vítimas de momentos em que não se reverte o que está sacramentado. Culpados de uma vida a dois sem graça.

Eles não tentam, apenas estão ali. Não querem estar. Só não sabem como não o fazer. Porque ficou tarde. Porque ficou complicado recomeçar. Porque preferem o igual. Porque gostariam de voltar a gostar. Porque é da natureza deles se acostumar. Simples assim. Um estar na vida sem a vivenciar.

(Perdendo tempo e vontade para quê?)

Ela finge que vai embora, ele finge que não se importa. Mas amanhã estarão no mesmo lugar.

2 comentários:

Cibele disse...

Muitas vezes se acostuma com a rotina, se acomoda com o que não está incomodando, apesar de também não satisfazer.
Gostei!

Glaucia Secco disse...

Caldas, esse foi um dos seus melhores textos! Simples, leve, objetivo e, ao mesmo tempo, essencialmente emotivo. Suas palavras apresentam uma dança muda entre os personagens que não sabem por onde terminar (e quiçá, começar).

Parabéns!