Mãos - a obra
Às vezes ainda sou capaz de ouvir sua voz falando baixinho bom-dia no meu ouvido e volto a sentir meu coração batendo acelerado, igual a quando eu imaginava que era assim que queria acordar pelo restante da minha vida. Nem parece que foi há tanto tempo que você deu boa-noite e subiu, me deixando sozinho no carro com um longo caminho até minha casa e uma solidão que parecia nunca mais ter fim. Sua voz ainda é nítida, meu coração ainda faz o peito doer. Mas não há saudade. Talvez lembrança, mas a ausência não é mais sentida. Porque o tempo ensina a se acostumar com o vazio, e a gente aceita, finalmente, que a presença nem era tão importante assim. É mentir para si mesmo. Tanto antes, quanto durante. Até depois. Segredo para fazer dar certo, dizem. Eu nunca soube, então o que falo deve ser verdade. Também o que eu sinto. Por isso a sua voz é nítida, mas o seu rosto já se foi. E se meu coração ainda acelera, pelo menos o seu cheiro já se dissipou no tempo. Agora é só a memória, em uma das caixas que você me ensinou a reservar para cada um que passa por nós e vai, assim, sem ter um porquê. Como você, que até hoje eu não entendi porque veio ou como se foi. Só que não está aqui – e que é melhor assim. Assim os dias podem ser bons, não é?
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8 comentários:
Adorei (=
Acho um pouco engraçado isso, quero dizer, como as dificuldades parecem ficar muito mais distantes do que de fato são. Não que elas tenham sido esquecidas, talvez apenas tenham sido superadas. De qualquer forma, ainda não consegui descobrir o que é de fato. Pelo menos penso que se tudo já tivesse sido superado mesmo a gente não sentiria de forma alguma, não é? No caso do texto, o coração não iria acelerar por exemplo. Isso mostra que ainda está presente seja lá o que for.
Pelo menos eu sei que se alguém aparece na nossa vida é porque tem um motivo. Algumas vezes é muito difícil de descobrir qual, mas mais cedo ou mais tarde "a ficha cai".
Viajei aqui haha Beijocas,
É.
é... - ou não.
Se o tempo não for o melhor remédio, pelo menos ele anestesia a dor.
Cadê o livro?
Tão intenso, adorei...
Pra ninguém - tá bom.
O tempo é o melhor remédio, sempre será.
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